Visitantes da tia Val

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

A casa da árvore




O apartamento no segundo andar era pequeno, mas ficaria confortável e aconchegante tudo estivesse do meu jeito.

- Podemos fechar o negócio. – Concordei sorrindo.

A decisão foi tomada depois de visitar a sacada e verificar a paisagem inspiradora.  Aquele quintal era tudo que eu precisava, e embora não fosse meu e sim da casa vizinha, a varanda era ideal para desfrutar da linda vista que ele proporcionava.

Terminei de descarregar a mudança no dia seguinte às duas da tarde e o apartamento estava um caos, mas não me importei com isso e nem com o fato de não ter almoçado. Acomodei-me no puff estrategicamente colocado na sacada e, com uma taça de vinho em mãos, pus-me a observar a casinha da árvore logo à minha frente, imaginando a variedade de histórias que poderiam se passar naquele cenário. Imediatamente peguei o notebook e comecei a digitar.



Quando dei por mim, já se passavam duas semanas de minha mudança. A organização do apartamento ainda não estava nem pela metade, mas meu romance já estava bastante adiantado e os personagens já haviam ganhado vida na casa da árvore. Eu passava a tarde inteira e muitas vezes até a madrugada em meus devaneios e escritos, e foi numa dessas tardes ensolaradas que eu o ouvi.

- Gostando da vista?

A voz masculina me chamou a atenção. Vinha da janela da casa da árvore e pertencia ao homem mais lindo que já vi na vida, ainda mais interessante que o personagem perfeito de meu romance.

Debrucei-me sobre a grade de proteção da sacada, imitando o gesto de meu protagonista e devolvi-lhe o sorriso provocante.

- Sim, gostando bastante. É uma casinha bem simpática.

- É uma espécie de refúgio, onde busco inspiração e sossego. Gostaria de conhecer?

A ideia me encantou ainda mais do que aquele rosto másculo. E sinceramente grata pelo convite, aceitei.

Por dentro, a casa da árvore era ainda mais fofa e romântica do que em minha estória – Talvez por estar impregnada pelo perfume sensualmente amadeirado de seu dono. Na entrada, um tapete estreito e comprido seguia até o tronco da árvore que, no meio da casa, sustentava uma bancada decorada com bonsais e outras miniaturas e que segurava uma cafeteira, xícaras e algumas frutas. À esquerda, uma mesinha baixa com muitas almofadas em volta e um violão encostado um pouco mais a diante. No outro canto, o puff ao lado da janela era bem maior que o meu e, para minha surpresa, um notebook completava a paisagem.

Curiosa, caminhei até a janela e aproveitei para dar uma espiada na tela do computador. Era um romance, e meu coração começou a bater ainda mais forte quando li o título: A sacada do apartamento. Confusa, alternei meu olhar entre minha varanda logo à frente – pela janela – o computador e seu dono, que se aproximava de mim.

- Sabia que eu te vi pela primeira vez naquela sacada no dia que você foi olhar o apartamento?

Balancei a cabeça negativamente, sem o menor pudor de disfarçar minha surpresa.

- E desde então tenho observado você todas as tardes e noites naquela sacada, ora com o olhar perdido em minha casa da árvore, ora digitando freneticamente em seu notebook, ou ainda tomando uma taça de vinho descompromissadamente.

- Então, quer dizer que você também é escritor. – Disse eu, apontando com a cabeça o computador. Ele sorriu e, segurando minha mão, induziu-me delicadamente a sentar-se ao seu lado.

- Gostaria de ler?

- Eu posso? – Perguntei ainda incrédula. É claro que eu queria!

O texto contava a estória de uma jovem que recebera uma vez a visita de um amante misterioso, que lhe proporcionara o maior prazer de toda sua vida e lhe despertara o mais nobre de todos os sentimentos, fugindo logo após pela sacada do apartamento. Desde então, todas as noites ela ficava naquela sacada à sua espera, usando os cabelos pretos soltos e uma mini-camisola branca.

Fiquei admirada com toda aquela situação. Olhei em direção à minha varanda e me visualizei vestindo a camisola que a estória descrevia.

- Você tem sido minha inspiração todos esses dias.

Prendi a respiração por alguns segundos, perdida na sinceridade daquele olhar.

- E você, de certa forma, tem sido a minha. Acredita em tamanha coincidência? Que essa paisagem foi o verdadeiro motivo de eu me mudar para aquele apartamento?

- Acredito que o universo conspirou para esse momento. Porque um dia antes de eu te ver pela primeira vez naquela sacada, meus irmãos se reuniram e decidiram que a casa da árvore seria destruída para a ampliação da casa. Mas, por algum motivo que eu não sabia qual, mas agora sei, eu me opus à sua derrubada e passei a usá-la como refúgio diário.

As palavras dele me causavam arrepios, seu olhar me fraquejava as pernas e por fim, seu beijo me tirava qualquer resquício de fôlego. E finalmente, lá estávamos nós, escrevendo nosso romance a quatro mãos: A sacada do apartamento unida à minha tão sonhada casa da árvore.


5 comentários:

  1. UAU!!!Que coisa mais linda, romantismo, beleza nesse conto!ADOREI!!! Bela inspiração! beijos,chica

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  2. Gente mas que conto fofo! Eu só tenho escrito dramas que terminam mal kkkkkkkk. vocẽ deve estar passando por um bom momento. Um grande beijo!

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  3. Oi Val! desculpe o link errado que te mandei pelo facebook. minha internet tá pra lá de lenta e acabei colando um link no nosso cahta q eu queria colocar numa página do face. A proposta tá na menina das ideias mesmo. desculpe mesmo kkkkk tá uma lambança essa minha internet.

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  4. Adorei o conto! Um romance muito bem dosado, que nos faz pensar em um cenário maravilhoso e, definitivamente, inspirador. Continue escrevendo, e eu continuarei lendo.

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  5. Adorei o conto! Um romance na medida certa, com cenário verdadeiramente inspirador. Continue escrevendo e eu continuarei lendo.

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Que bom que você leu o post até o final, sinal de que não era tão chato assim, neh? Seu comentário é muito importante para mim, não saia sem deixar um Oi, para eu saber quem veio me visitar. Sempre que posso, retribuo as visitas. Bjokas da Val!

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