Visitantes da tia Val

sábado, 11 de outubro de 2014

E se fosse a hora de partir...

Hoje me peguei reflexiva... mais que o normal. E mesmo tendo consciência de que meu blog está totalmente abandonado, é aqui que vou externar minhas reflexões.

É que estou adoentada desde terça-feira, agravamento de uma crise de sinusite mal cuidada que virou uma gripe terrivelmente incômoda, uma das poucas coisas que me derrubam. Eu sei que gripe é só uma gripe, que não é nada grave, mas quando os remédios receitados pelo médico não fazem o efeito esperado em pelo menos três dias, você precisa trabalhar com dor e febre, tem que cuidar de filho, estudar e não tem ânimo para nada disso... não sei vocês, mas eu começo a ficar preocupada, irritada e, acima de tudo... pensativa. Com o corpo frágil e pouca reativo, não consigo afastar do pensamento a ideia de que para morrer basta estar vivo. Acredito que uma gripe não seja forte o suficiente para me levar, mas... e se não fosse só uma gripe? Se eu estivesse com alguma doença fatal? Será que o mundo estaria preparado para me perder? Será que eu estaria preparada para deixá-lo?

O que me traz essa reflexão hoje é a profundidade de meus relacionamentos, aquilo que realmente importa. Se eu morresse hoje, quem sentiria minha falta? É sábado e estou aqui no quarto digitando e, quando olho em volta... estou sozinha. Eu e o computador. As pessoas com quem me relaciono estão cada um cuidando de suas vidas, inclusive minha família: Minha mãe trabalhando, irmã com as amigas e até meu filho, está lá na sala jogando on line com os coleguinhas dele. Meus amigos, os colegas de trabalho, todos têm seus próprios problemas e a preocupação comigo é vaga: Oi, Val... melhorou? O homem com quem me relaciono me manda mensagens mandando eu me cuidar, ensinando remédios caseiros e espera minha recuperação para ficarmos juntos. Legal, neh?

O fato é que estou só. E não se trata apenas de olhar para os lados e não ver ninguém, trata-se do sentimento de solidão que fica muito mais evidente para mim no dia de hoje. É imaginar um velório vazio, pois as pessoas sentem muito, mas têm mais o que fazer. Afinal... era só uma colega de trabalho, uma amiga distante, era só uma peguete. Porque por mais que eu me entregue, me doe e me preocupe com as pessoas, não tenho a capacidade de despertar nelas a mesma intensidade de sentimentos por mim. 

Talvez a culpa nem seja das pessoas e sim minha... talvez eu devesse me doar mais. Ou talvez menos. Ou talvez não devesse me preocupar com essas coisas, porque cada um sabe de si e quem sou eu para entender o que se passa no coração alheio? Talvez eu simplesmente não seja digna de tanta atenção, de tanta preocupação ou zelo...

O fato é que hoje me pergunto: E se fosse a hora de partir, quem estaria realmente ao meu lado? Quem se importaria? Quem sofreria de saudades? Quem sofreria de remorso? Quem estaria com a consciência tranquila por ter me mostrado o quanto me ama? E eu? O que sentiria no momento do último suspiro? Em quem pensaria? A mão de quem estaria segurando? A quem que estivesse distante eu gostaria de olhar nos olhos pela última vez?

A conclusão que chego é que quando chegar a hora, quero ao meu lado não apenas as pessoas que amo, mas principalmente as que me amam, por mais egoísta que isso possa parecer. Pois no final da vida, depois que tudo acabar... do que vai adiantar um amor não correspondido?


Valquíria Paula.

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